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Quando o oceano entra na sala de aula: o que a Olimpíada do Oceano revela sobre as escolas do Paraná

  • Foto do escritor: decadaoceanopr
    decadaoceanopr
  • 30 de abr.
  • 2 min de leitura

No auditório do Instituto Federal do Paraná, em Paranaguá, o que se viu no dia 28 de abril não foi apenas uma cerimônia de premiação.

Era um encontro de histórias.

Estudantes, professores e escolas de diferentes partes do Paraná se reuniram para celebrar a participação na Olimpíada Brasileira do Oceano 2025. Mas, ao longo das falas e das trocas, ficou claro que o que estava sendo reconhecido ali ia além dos troféus.

O oceano já está dentro das escolas. Mesmo em municípios longe do litoral, professores vêm encontrando caminhos para trabalhar o tema a partir da realidade dos estudantes, conectando clima, água, território e cotidiano. A Olimpíada, nesse contexto, não cria o movimento. Ela revela e fortalece algo que já está em curso.

Coordenada pelo Programa Maré de Ciência, da Universidade Federal de São Paulo, em parceria com a UNESCO e o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações, a iniciativa se alinha à Década da Ciência Oceânica (2021–2030) e propõe uma mudança importante: aproximar o oceano da vida dos estudantes.

No Paraná, esse movimento ganha força a partir da articulação em rede. A Rede de Cultura Oceânica na Educação, a Coalizão Paraná pela Década do Oceano, o Programa MarMaré, o grupo CONEA-UTFPR e iniciativas como a Escola Comunitária de Surfe de Pontal do Sul vêm construindo, juntos, um território onde ciência e educação se encontram de forma mais concreta.

A Universidade Federal do Paraná tem atuado como um desses pontos de conexão. Por meio de projetos de pesquisa e extensão, a universidade aproxima a produção científica do cotidiano das escolas, criando pontes entre conhecimento acadêmico e realidade local.

Esse movimento muda a forma como o oceano é trabalhado. Ele deixa de ser um conteúdo isolado e passa a ser uma lente para compreender o mundo. Dados científicos, experiências de campo e questões locais entram nas atividades escolares, permitindo que estudantes discutam temas como mudanças climáticas, biodiversidade e poluição a partir de situações que fazem sentido no seu território.

Durante a cerimônia, esse processo ficou evidente. Professores compartilharam experiências, relataram desafios e mostraram como adaptam o tema às diferentes realidades. O protagonismo das escolas estava nos resultados, mas principalmente na forma como cada uma construiu seu próprio caminho. Os números ajudam a dimensionar o alcance: o Paraná conquistou 1.184 medalhas, com a participação de 41 escolas em 22 municípios. O que se consolida é uma rede que conecta ensino, pesquisa e extensão, onde o oceano deixa de ser visto como algo distante e passa a ser reconhecido nas relações entre ambiente, sociedade e educação.

Diferente de competições tradicionais, a Olimpíada do Oceano não se baseia na disputa. Ela valoriza trajetórias, incentiva projetos e fortalece processos coletivos dentro das escolas.

E talvez esse seja o ponto mais importante: a cultura oceânica não chega pronta.

Ela está sendo construída, nas salas de aula, nos territórios e nas conexões que professores e estudantes vêm criando todos os dias.



 
 
 

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